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(22/08/2017)
Projeto Paralímpico Escolar de Vila Velha leva alunos para competir nacionalmente


Atletas de 12 a 17 anos com deficiência física, visual e intelectual participaram no último final de semana da Seletiva Estadual que definiu os representantes capixabas para os Jogos Paralímpicos Escolares, que acontecem em novembro, em São Paulo. Dos 30 selecionados, 20 fazem parte do Projeto Paralímpico Escolar, da Secretaria Municipal de Educação de Vila Velha, criado pelo pedagogo e professor de Educação Física Marcelo Coutinho. Os alunos do projeto já são medalhistas das competições nacionais e conquistaram, só em 2016, mais da metade das 42 medalhas do Espírito Santo.


Criação de segmento social

Trabalhando com atletas paralímpicos há 20 anos, Marcelo, que já é secretário municipal da Negritude Socialista Brasileira (NSB) em Vila Velha, filiado ao PSB, pretende ampliar as políticas públicas em prol da melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. “Gostaria que o PSB criasse um grupo para defender os direitos dos deficientes, incluindo-os socialmente e dando mais oportunidade a todos eles”, disse o professor, que almeja que a causa vire mais um movimento social de representatividade do partido, atendendo aos ideais de igualdade e liberdade do partido.


Este ano, ele levou o tema para o Congresso Municipal do PSB em Vila Velha e conseguiu aprovar a criação do Núcleo da Pessoa com Deficiência do partido no município. O assunto será discutido também no Congresso Estadual, que acontece em setembro. “Em cima disso, já estou escrevendo as diretrizes do Núcleo, para quê ele exista e seus objetivos na educação, no esporte, na cultura, na saúde e reabilitação e no emprego, e a proposta que o grupo deseja realizar com essas pessoas enquanto política partidária”, comemora Marcelo.


Superação e realização

O Projeto Paralímpico Escolar de Vila Velha, criado há quatro anos, conta hoje com 55 atletas de 12 a 17 anos e é referência na área paradesportiva do Estado. Nos últimos dois anos, compôs metade da Delegação Capixaba nos Jogos Paralímpicos Esportivos. O coordenador explica que o objetivo das competições é revelar talentos visando as Paraolimpíadas mundiais. “Os jogos entre estudantes são o celeiro para os futuros atletas paralímpicos do Brasil. Todos os grandes paratletas brasileiros saíram dos campeonatos escolares”. No esporte eles se sentem fortes, competitivos, se identificam e se inspiram entre si para alcançar conquistas antes inimagináveis por meio da atividade física.


Ex-atleta convencional, Marcelo conta que hoje se sente muito mais realizado trabalhando com os meninos especiais, porque eles encontram no esporte a melhor forma de superar suas dificuldades. “Eu trabalhava com adultos e não via o movimento paralímpico com jovens no Estado. Por causa disso não havia renovação das equipes. Pensei: se eu atuo na parte pedagógica, sou professor de educação física e tenho a chance de mudar algo dentro da educação especial, porque não fazê-lo?”, frisa professor.


Como participar


Ele conta que para participar do projeto basta ser morador do município de Vila Velha e estudante da rede pública ou privada – 90% são de escolas públicas, porque estas dão um atendimento mais efetivo a esse público do que as particulares. Hoje são mais de 10 escolas municipais e estaduais de Vila Velha inscritas no projeto. Marcelo explica como acontece o contato com os alunos:


“O Núcleo de Educação Especial tem um cadastro de alunos especiais, baseado no censo escolar, por onde localizamos os meninos que se encaixam no projeto. Entramos em contato e fazemos uma visita in loco para entrevistar a criança, sondar o interesse e então convocamos a família para o aluno começar a treinar”. Os interessados podem escolher entre as modalidades natação e atletismo – que inclui corrida, arremesso de dardos, arremesso de peso e salto em distância.


Marcelo sonha alto e quer ver a iniciativa virar um projeto modelo para inspirar outras cidades capixabas. “A gente sonha em ter um campeonato municipal paralímpico envolvendo a rede municipal e estadual. Acredito que com o crescimento que os alunos estão conquistando, num futuro bem próximo vamos ter os nossos jogos. Só precisamos do apoio de políticas públicas”, ressalta.



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