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(24/02/2016)
Mulheres: A conquista de ontem e as lutas de hoje


Mulheres: A conquista de ontem e as lutas de hoje


A conquista do direito ao voto feminino no Brasil aconteceu há décadas, mas a luta pela igualdade e fim da violência contra a mulher ainda é atual.


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Em 24 de fevereiro de 1932, por meio de um decreto do presidente Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil. Hoje, 84 anos depois, a luta por igualdade de gênero continua, mas com outras bandeiras, como, por exemplo, a ocupação dos espaços de poder, a atenção e cuidado com à saúde da mulher, a igualdade em aspectos trabalhistas e o fim da violência contra a mulher.


De acordo com o Mapa da Violência 2015, o Brasil ocupa a sétima posição no ranking dos países com maior incidência de violência contra a mulher, ficando atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. Quando se trata do Espírito Santo, o estado apresenta a taxa mais alta de homicídios de negras e aparece como o 2º estado com maior taxa de homicídios femininos no país, com 9,3 homicídios a cada 100 mil mulheres.


Mulheres socialistas na luta


Para Céia Poubel, Secretária Estadual do Movimento das Mulheres Socialistas do Espírito Santo (MMS-ES), para reverter essa situação é fundamental que os movimentos sociais e a sociedade civil pressionem o Governo para a criação de políticas públicas que assegurem às mulheres. “É fundamental estarmos juntos nesta luta. Existem leis que protegem as mulheres, como, por exemplo, a lei Maria da Penha criada em 2006, mas que, inúmeras vezes, são deixadas de lado pelo Poder Judiciário os casos não têm a atenção que merecem”, acrescenta Ceia.


A Secretária Estadual do MMS-ES ainda acrescenta os diversos tipos de violência contra a mulher existentes. “O feminicídio, a violência doméstica, violência sexual em áreas de conflito, tráfico de mulheres e meninas, casamento precoce forçado, tortura psicológica e mutilação genital feminina acontecem todos os dias e precisamos dar um basta nisso. É preciso cobrar dos nossos governantes ações que mudem essa realidade”.


Dados que apontam a gravidade da violência contra a mulher:



  • 48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência; no caso dos homens, apenas 14% foram agredidos no interior de suas casas (PNAD/IBGE, 2009).

  • 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos, aponta pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular (nov/2014).

  • 56% dos homens admitem que já cometeram alguma dessas formas de agressão: xingou, empurrou, agrediu com palavras, deu tapa, deu soco, impediu de sair de casa, obrigou a fazer sexo. Saiba mais sobre as “Percepções do Homem sobre a Violência Contra a Mulher” (Data Popular/Instituto Avon 2013).

  • 77% das mulheres que relatam viver em situação de violência sofrem agressões semanal ou diariamente. Em mais de 80% dos casos, a violência foi cometida por homens com quem as vítimas têm ou tiveram algum vínculo afetivo: atuais ou ex-companheiros, cônjuges, namorados ou amantes das vítimas. É o que revela o Balanço do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). 

  • Pesquisa apoiada pela Campanha Compromisso e Atitude, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, revela que 98% da população brasileira já ouviu falar na Lei Maria da Penha e 70% consideram que a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil. (Data Popular/Instituto Patrícia Galvão, 2013)