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(07/07/2017)
Movimento LGBT cresce no Estado e se organiza em 11 municípios


lgbt-flag-flyingApesar do número expressivo de participantes na Parada do Orgulho LGBT recentemente em São Paulo, das campanhas contra homofobia e da luta por igualdade de direitos em evidência, a orientação sexual ainda é vista como um tabu na sociedade, dificultando até mesmo uma participação efetiva na política.


Aqui no Espírito Santo, o Movimento Socialista LGBT segue desconstruindo essa realidade e articula sua militância cada vez em mais municípios capixabas. Fundão, Linhares, Aracruz, São Mateus, Vitória, Vila Velha, Cachoeiro de Itapemirim, Mimoso do Sul, São José do Calçado, Guarapari e Colatina são as mais novas cidades a aderirem ao movimento e já se preparam para a organização dos congressos municipais no segundo semestre.


Para o Secretário Estadual do Movimento LGBT no Espírito Santo, Rogério Scandyan, essa estruturação é resultado do empenho dos socialistas. “É muito difícil alguém manifestar a liderança política para o Movimento LGBT. Temos focado no diálogo ao visitar os municípios, buscando identificar lideranças em potencial. Aprimorando o trabalho feito em 2016, hoje temos organização e falta pouco para conseguirmos promover um congresso estadual”, destacou Scandyan.


Aracruz: primeira cidade a ter Congresso Municipal LGBT


À frente do nível de organização dos demais municípios, Aracruz, no noroeste capixaba, será a primeira cidade a realizar o Congresso Municipal do Movimento Socialista LGBT. “Temos novas filiações e isso nos dá suporte para realizar o evento no segundo semestre deste ano”, comemorou Rogério.


Um dos recém filiados é Marcelo Loureiro Ucelli, professor universitário e pesquisador de gênero e sexualidade. Atuante na luta, ele aponta que o objetivo de sua filiação é liderar o movimento na cidade e fortalecer o partido.


Conversamos com Marcelo sobre as suas expectativas na militância. Confira:



  • Professor, qual a sua motivação para se filiar ao PSB e liderar o movimento LGBT?


A motivação vem do discurso teórico e prático que o partido desenvolve quanto às políticas de inclusão, seja nos temas da negritude socialista, das mulheres socialistas ou do movimento LGBT.


2- Quais são as suas expectativas para o movimento LGBT em Aracruz?


As expectativas são muitas, uma vez que sou doutorando na área da Educação, em que discuto sobre gênero e sexualidade. Sei que os desafios são enormes, pois são reais os discursos de ódio e intolerância quanto  à diversidade em todos os âmbitos. Mas precisamos ser resistentes e lutar contra este discurso que cada vez  se estende  no meio político.  


Vivemos em uma sociedade plural, na qual não cabe mais esse discurso sexista, racista e homofóbico. Político com este posicionamento está fadado ao fracasso. Estar na liderança deste movimento é criar resistência para quaisquer tipos de enfrentamentos que venham a surgir.  


3 – Qual a importância do Movimento Socialista LGBT para a sociedade?


O Movimento Socialista LGBT é de fundamental importância para se discutir políticas públicas hoje. Mesmo que o movimento ainda seja estigmatizado por conta de uma sociedade machista e preconceituosa, aos poucos ele consegue se reerguer com discussões sérias e pertinentes para os campos social e político. Não se pode permitir tamanhas atrocidades (assassinatos) que são cometidas todos os dias com o público LGBT.  Um país sério se faz com política séria de inclusão.