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(08/05/2017)
Por uma agenda socialista, democrata e popular


Odmar Péricles Nascimento*


Membro do diretório nacional do PSB e coordenador da FJM no ES


18268495_1819550351392371_4361091814221071278_nHá uma crise no interior do Partido Socialista Brasileiro. E não há quem a negue. E que bom haver uma crise, reconhecê-la e pautá-la, no lugar de varrê-la para debaixo do tapete. Mas como não haveria crise, em meio à ebulição política, econômica, ética e moral instalada no país? No entanto, toda crise exige prudência e providência. E exato nessa ordem.


Num exame mais detido, o PSB para participar na arena eleitoral, tomou uso dos hábitos dos concorrentes, de lançar mão de qualquer aventureiro que queira competir e engrossar as listas de candidatos.


A competição eleitoral não admite melhor seleção. E como pescadores, lança-se a rede e recolhe-se o que vem, de variados matizes ideológicos e variados interesses e necessidades.


De fato aconteceu na preparação para a eleição nacional de 2014, que daria sustentação à campanha presidencial de nosso saudoso e  querido governador Eduardo Campos. A necessidade da campanha abriu mão da prudência e filiaram políticos que até então guardavam distância de nosso manifesto, programa e estatutos.


Isso está na raiz desta crise de relação na bancada e com a direção partidária. MAS NÃO SE TRATA DE CRISE DE IDENTIDADE.


Os ideais de João Mangabeira, Antônio Houaiss, Jamil Haddad, Miguel Arraes e de seu neto e sucessor, estão vivos e preservados. Haja visto que majoritariamente a bancada federal respondeu positivamente ao apelo e decisão do partido, que manteve sua ausculta nas ruas e nos movimentos da sociedade. Além da posição firme e militante da direção nacional, capitaneada pelo presidente Carlos Siqueira.


Isso entendido, vem o apelo à prudência. Falações nos grupos de mensagens desenham verdadeiros pelotões de execuções sumárias e desacompanhadas de qualquer juízo de valor legal, estatutário ou ideológico. Militantes impacientes com seus rubores, querendo autopsiar corpos em vida.


Na primeira vez que o partido decide fechar questão numa votação contra o governo; e mesmo essa decisão acatada pela maioria dos parlamentares evidenciar a posição do partido; e mesmo que ele , o partido, não tenha resolvido sua dúbia posição quanto ao governo; ensaia-se a celeuma, o pecado capital e toda intolerância, desprovida de senso, prudência e atitude socialista. Ora, há que ser duro sem perder a ternura, nos ensinou o poeta revolucionário.


Muitos daqueles que fizeram ouvidos moucos à orientação partidária pelo voto contrário ao projeto de reforma trabalhista, são militantes com extensa folha de serviços prestados ao partido e a sociedade, e de forma decente, corajosa e elogiável.


Cabe-lhes portanto, o direito de defesa, de esclarecimento ou até de mea culpa. E a juízo do código de ética e fidelidade, se submeter a alguma penalidade. E não venham os incautos “espalhar bolinho”. Essa crise é episódica, a guilhotina foi abolida e o socialismo é justo.


O problema cerne da questão está na insistência do Deputado Bezerra Filho, permanecer titular no Ministério da Minas e Energia nesse governo Temer. Não é lugar que nos caiba, e aí a contradição aflora e o cabo de guerra se instala.


As benesses do poder  X o clamor popular. Contribuir com esse governo que é aliado ao capital mais avassalador e avesso às conquistas sociais ou combater o bom combate, preparando o terreno para o que virá?


Então qual a providência? De fato O caminho é a agenda própria, e em nome dela o partido tomar suas decisões, de modo que indique rumo novo, seguro e autônomo.


A crise instalada no país clama por solução nova. Só uma agenda própria do Partido Socialista Brasileiro interessa a todos os filiados, militantes, dirigentes, com ou sem mandatos. E aos milhares de simpatizantes de nossa causa e prática política.


Crê-se que nessa bandeira que orientará os Congressos Municipais, os estaduais e o nacional, convertendo toda crise em força e entusiasmo, e oferecendo rumo novo para o povo brasileiro.


Precisamos responder a ansiedade popular, pra ir às ruas e praças, chamar o povo, pra juntos assumirmos o poder. E antes que um aventureiro o faça.