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(30/11/2018)
O movimento estudantil unificado pelas mudanças


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Por Rodrigo Itiúba, 2º Vice-presidente da UNE


São inúmeros os relatos de protagonismo da juventude estudantil brasileira nas mudanças do país, como a exemplo de 1710, quando soldados franceses invadiram o Rio de Janeiro e foram expulsos por estudantes. Na segunda fase do período Imperial, temos um aumento desse protagonismo, pois é quando há relato da criação das primeiras sociedades acadêmicas que tiveram um papel importante no desenvolvimento político das iniciativas discentes e pelas liberdades e democracia no Brasil.


O movimento estudantil nacional organizado data de 1901, quando foi criada a Federação dos Estudantes Brasileiros, entidade precursora, mas que teve pouco tempo de atuação. Na Revolução de 30, a efervescência política no ambiente nacional levou os estudantes a se organizaram em diversas entidades estudantis.


A variedade de idéias e propostas era crescente, bem como o desejo nacional da constituição de uma entidade representativa forte e legítima, para promover a defesa da qualidade de ensino, do patrimônio nacional e da justiça social. Em 1937, herdando o legado dessa luta e essa vocação intrépida dos estudantes brasileiros, é fundada a União Nacional dos Estudantes – UNE.


A criação da UNE emergiu como um dos mais importantes acontecimentos nacionais e mudou de vez a dinâmica do movimento estudantil brasileiro, tornando esse, um dos movimentos sociais de maior expressão no país. Historicamente, a UNE foi incisiva na articulação com outras forças progressistas da sociedade e temos como exemplos o movimento que pressionou o governo Getúlio Vargas a se opor ao nazi-fascismo de Adolf Hitler, o protagonismo com a campanha “O Petróleo é Nosso”, a Campanha da Legalidade, movimento de resistência para garantir que Jango fosse empossado, a formação da Frente de Mobilização Popular, no contexto das reformas de base propostas pelo governo João Goulart, onde a UNE e a Frente defenderam mudanças sociais profundas no país, participou ativamente dos movimentos universitários de resistência à ditadura militar e das campanhas das “Diretas Já” e “Fora Collor”.


Atualmente, a principal luta da UNE tornou-se a melhoria da educação pública de qualidade no país. A entidade se mobiliza em três grandes congressos, o Conselho Nacional de Entidades de Base – CONEB, o Conselho Nacional de Entidades Gerais – CONEG e o Congresso da UNE – CONUNE, sendo o último, o principal fórum deliberativo do movimento estudantil brasileiro, que é realizado a cada dois anos. Desde 2009, a entidade se mobiliza também em Bienais, que valorizam áreas como a cultura, ciência e tecnologia e esporte.


Além disso, a entidade se organiza atualmente em movimentos de estudantes negros, mulheres, gays, lésbicas, entre outros grupos. Em 2008 e 2018, a UNE realizou caravanas nacionais inspiradas na UNE Volante de 1962. No plano internacional, a UNE tem papel central na Organização Continental Latino-Americana e Caribenha de Estudantes – OCLAE, integrando suas lutas às dos jovens dos demais países do continente.


Vale ressaltar que nas lutas e conquistas recentes, conseguimos a aprovação do Plano Nacional de Educação com garantia do investimento de 10% do PIB para educação, a destinação de 75% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal para a educação e a oposição no Congresso Nacional ao “Escola sem Partido”.


“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos, e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” (Eduardo Galeano)


Por Rodrigo Itiúba, 2º Vice-presidente da UNE